No documento são identificados como obstáculos ao acesso da população aos cuidados de saúde “a falta de médicos generalistas e de certos especialistas nas zonas rurais e em determinadas regiões, a concentração de recursos nos hospitais, nas grandes cidades e na faixa costeira e a falta de cobertura de certos serviços por parte do Serviço Nacional de Saúde (designadamente os cuidados dentários)”.
Bruxelas considera ainda que esta situação “interfere com o funcionamento de um sistema nacional de saúde assente nos cuidados de saúde primários e gera uma utilização desnecessária de cuidados hospitalares e de emergência dispendiosos”.
O relatório destaca ainda que, em Portugal, “as crescentes assimetrias sociais e as desigualdades no acesso geraram uma maior prevalência de estilos de vida menos saudáveis, condições de saúde precárias (tuberculose) e desigualdades ligadas à saúde”.
Por outro lado, é positiva a reestruturação dos centros de saúde para criar “pequenas unidades de saúde familiares mais próximas do domicílio ou do local de trabalho dos utentes e mais correctamente sincronizados com os hospitais e as unidades que prestam cuidados prolongados”.
A Comissão Europeia sublinha ainda que “o Estado [português] garante normas de qualidade nas instituições públicas e privadas”, tendo criado uma autoridade independente para questões de qualidade.
O relatório destaca entre os desafios a que Portugal terá que dar resposta a melhoria da provisão de cuidados de longa duração e a redução das disparidades geográficas da oferta.
Ver aqui o relatório “Relatório Conjunto sobre Protecção Social e Inclusão Social 2008″
O Mesmo relatório, agora segundo a notícia do Correio da Manhã, aponta para “Portugal tem mais desigualdades” onde consta, e passo a citar:



Discordo em parte da sua opinião, mas entendo-a. Tem razão o relatório ao dizer que em Portugal o acesso ao S.N.S ainda ser deficitária, há de facto uma cobertura deficitária. Mas precisamente por isso é que o Ministro Correia de Campos iniciou a reforma dos Cuidados de Saúde Primários que certamente irá significar grandes ganhos em saúde. Porque são estes níveis de cuidados a porta de acesso ao S.N.S, e consequentemente poderão aliviar a sobrecarga das urgências hospitalares que tantos transtornos causam à população, e poderão também evitar os custos financeiros desnecessários que diminuem e eficiência hospitalar e ao mesmo tempo melhorar acesso ao ao sistema de saúde. Para quem estiver bem informado acerca das linhas orientadoras desta reforma e dos seus avanços, lentos é certo, seguramente que consegue entender o fecho dos SAP uma vez que a afluência em horário nocturno era muito reduzido. Já em relação às maternidades embora seja um assunto delicado, parece sensato que uma maternidade com poucos partos não justifique a sua existência, isto porque como sabemos os recursos são escassos, e mais ainda, a experiência adquirida pelos profissionais é reduzida logo a qualidade dos seus actos pode ficar seriamente comprometida.
Comentário por Santos — 2008/12/19 @ 14:35